Debate sobre o texto : BOSI, Alfredo et ali. (Mesa-redonda) Educação hoje: questões em debate. Estudos Avançados. Dossiê Educação. 15 (42), 2001

Formação de Professores

Fórum de discussão dos alunos de Fundamentos da Prática Pedagógica do PPGEd Mestrado em Educação, disciplina sob a responsabilidade da Porfa. Dra. Iolanda B. C. Cortelazzo.

Texto referência : BOSI, Alfredo et ali. (Mesa-redonda) Educação hoje: questões em debate. Estudos Avançados. Dossiê Educação. 15 (42), 2001:9-101.

Parte da discussão de 25/08.

 

FL .Bosi , p. 11. quase sempre se parte de uma noção vaga e impressionista de "escola brasileira", caminha-se para a afirmação da necessidade de uma "política nacional de formação de professores" e, em seguida, desenha-se o "perfil profissional" desses professores por meio de um arrolamento de competências cognitivas e docentes que deveriam ser desenvolvidas pelos cursos formadores. Pag 11

Comentário: Um dos grandes problemas consiste em se idealizar uma escola, sem estar preocupado com os interesses da sociedade. "Executivos de gabinete" ou "experts" em educação se julgam capazes de escolher o que é melhor para a população, sem nunca terem trabalhado em escola. Antes de se partir para uma proposta de Escola ou de Currículo, é preciso estabelecer um grupo de trabalho colaborativo, envolvendo várias pessoas da comunidade, onde poderiam partir de uma idéia inicial e abrirem para uma discussão sobre os itens levantados. Mesmo após chegarem ao consenso e implantarem as diretrizes estabelecidas, deveriam estar atentos para a necessidade de se lapidar cada vez mais o idealizado, tornando-o mais condizente com as necessidades da escola, dos alunos e da comunidade.

 

RR -Um dos grandes problemas consiste em se idealizar uma escola, sem estar preocupado com os interesses da sociedade. "Executivos de gabinete" ou "experts" em educação se julgam capazes de escolher o que é melhor para a população, sem nunca terem trabalhado em escola. Antes de se partir para uma proposta de Escola ou de Currículo, é preciso estabelecer um grupo de trabalho colaborativo, envolvendo várias pessoas da comunidade, onde poderiam partir de uma idéia inicial e abrirem para uma discusão sobre os itens levantados. Mesmo após chegarem ao concenso e implantarem as diretrizes estabelecidas, deveriam estas atentos para a necessidade de se lapidar cada vez mais o idealizado, tornando-o mais condizente com as necessidades da escola, dos alunos e da comunidade.

FL - Você disse bem, eles detem o controle majoritário de nossa atual sociedade político-econômica. Porém a sociedade a que me refiro é a sociedade brasileira como um todo, respeitando o direito de cidadania de cada um, que estabelece direitos de todos à escola e de permanecerem nela. Esse Executivos de gabinete, estão sempre defendendo interesses próprios, ou de alguma facção da comunidade que lhes proporcionem alguma forma de benefício. Por isso, quando me refiro à sociedade estou querendo dizer a sociedade como um todo.

ANCA - Bosi , p. 11. Nessa linha,as preocupações sobre a formação docente aproximam-se da concepção de Comênio(Didática Magna,1657),segundo a qual o "bom professor" seria aquele capaz de dominar a "arte de ensinar tudo a todos".Comênio,como um baconista convicto,tinha uma profunda confiança no poder do método,achava possível que a arte de ensinar fosse codificável num conjunto de prescrições cuja observância estrita faria de uma pessoa interessada um professor competente,ele queria implantar no campo da educação a reforma pretendida por Bacon no domínio das ciências.Como para Bacon fazer ciência era aplicar um método,Comênio imaginou que ensinar era também a aplicação de um método.(pag11)

COMENTÁRIO:Não acredito que para ensinar o principal seja ter um bom método e ser interessado.Vemos hoje que muitas pessoas tentam ser professores;apresentam ou simplesmente seguem um método,possuem interesse,dedicação,boa vontade,compromisso e,mesmo assim,não conseguem ser bons professores.Ser um bom professor,transmitir adequadamente o conhecimento e ser educador de fato não é tão simples como apareceu no parágrafo,e muito menos uma receita que pode ser seguida.

And - Concordo com você, além disso observo muitas receitas e modismos de como ser um bom professor, porém não é para todo mundo que funciona, porém acredito que quando o professor é comprometido com aquilo que faz e repensa suas práticas é um meio dele procurar ser um bom professor.

Luc- Concordo contigo quanto ao que mesmo desenvolvendo um método e apesar de ter boa vontade, é preciso muito mais para ser um bom professor. No entanto o autor comenta este exemplo para citar justamente as falhas de como esta linha de pensamento vista nos moldes atuais estão atrasadas. Mais adiante (pg. 12) complementa que " pouco há de seguro, nessas áreas do conhecimento, que permita fundamentar a formação do professor"

Ane - E realmente não o é, Ana. Esta relação direta entre método de conhecimento e de ensino, colocada por Comenio, foi vencida, agora coloca-se que devemos considerar a relação entre conhecimento e ensino de forma contextualizada, para que sejamos capazes de dicernir todas as questõe reprodutoras (ou não) que encontramos como pano de fundo.

CL - Concordo com seu comentário,Ana e acrescento que muitas pessoas escolhem pela profissão de professor pela "facilidade" que encontram em entrar na Faculdade, terminam o seu curso e, derrepente estão na escola.

 

 

Ane – Bosi p. 12 "A idéia de que ensino eficaz é basicamente a aplicação competente de um saber metodológico, epistemologicamente fundamentado em outros saberes, principalmente de natureza psicológica, é altamente discutível. teorias da aprendizagem, da inteligência e do desenvolvimento cognitivo e emocional da criança e do adolescente aparecem, entram em moda e saem de moda. Pouco há de segura, nessas áreas do conhecimento, que permita fundamentar a formação do professor. Além disso, é preciso ainda chamar a atenção para o fato de que as tentativas de derivar regras práticas de teoria científica sao, na maior parte das vezes, exercícios claudicantes do ponto de vista lógico, por desconsideração das complexas questões implicadas no trânsito entre conhecimento de fatos e possívies regras que consistiriam numa aplicação desse conhecimento" - p. 12

COMENTÁRIO: As teorias da aprendizagem, da inteligência e do desenvolvimento cognitivo e emocional não podem deixar de ser consideradas, pois auxiliam efetivamente no processo ensino-aprendizagem.

SIL - Oi Ane.... A psicologização na educação causou muitas marcas negativas, acredito que não só nos alunos é preciso tomar cuidado com as influências da psicologia

IBCC - Silvana, o que você quer dizer com psicologização da educação e como isto esta relacionado ao que a Anelise escreveu?

VAN - Também concordo que muitas dessas teorias não devem ser ignoradas ou desvalorizadas. Elas surgiram para auxiliar uma melhor compreensão dos processos cognitivos dos seres humanos e contribuíram significativamente sobre a prática pedagógica. Conhecendo melhor como o aluno aprende, verificando também a influência das questões emocionais, os processos pedagógicos passam a valorizar esses pontos e podem ser melhor delineados.

ML - As teorias da aprendizagem são temporárias "entram e saem da moda", no entanto existem aquelas que são eternas e servem de base às outras e não podem ser esquecidas relativas aos conteúdos básicos de cada disciplina. Os conhecimentos transmitidos pelas Instituições de formação de professores deveriam estar relacionados com os conteúdos trabalhados na escolarização básica.

IBCC - MAs os professores aprendem e sabem o que essas teorias dizem e significam? Ou será que apenas decoram as principais características para passarem nas provas da faculdade ou nos concursos públicos?

ANCA - Concordo com a Ane!Podem dizer que estas teorias saem de moda,que dependendo da época é determinado autor que está em evidência,mas acredito que é fundamental para um professor ter conhecimento sobre elas,pois podem auxiliar o professor no processo ensino-aprendizagem.

FL - Bem se existe algo que entra e sai da moda, isso significa que não possue raízes fortes que lhe sustentem, não merecendo muita atenção, a não para que possamos saber como não proceder. Os ensinos legados por Vygotsky nos elucidam mais em relação à formação da mente. Nesse ponto devemos parar e refletir sobre o que realmente consideramos como sendo importante a ser considerado em um curso de formação de professores. O que trabalhar? Por que trabalhar isto? Onde pretendemos chegar com esse trabalho.

Alc - Texto Bosi (página 12) No que diz respeito às propostas de formação docente, o estado de coisas está tão desarranjado que, quando se fala em metodologias e estratégias de ensino, não se consegue discernir entre possíveis relações conceituais entre conhecimento, ensino e valores e hipotéticas relações entre capacidade de aprender e supostas fases de desenvolvimento. Enfim, nem sempre se procura e se consegue distinguir entre o que são exerícios de um jargão na moda daquilo que tem respaldo em investigações teóricas e empíricas. A idéia de que o ensino eficaz é basicamente a aplicação competente de um saber metodológico, epistemológico fundamentado em outros saberes, principalmente de natureza psicológica, é altamente discutível.Teorias da aprendizagem, da inteligência e do desenvolvimento cognitivo e emocional da criança e do adolescente aparecem, entram em moda e saem de moda. Pouco há de seguro, nessas áreas do conhecimento, que permite fundamentar a formação do professor. Além disso, é preciso ainda chamar a atenção para o fato de que tentativas de derivar regras práticas de teorias científica são, na maior parte das vezes, exercícios claudicantes do ponto de vista lógico, por desconsideração das complexas questões implicadas no trânsito entre o conhecimento de fatos e possíveis regras que consistiriam numa aplicação desse conhecimento.

COMENTÁRIO: Acho que a aquisição, o "domínio" de conhecimentos é um processo de formação que leva tempo e amadurecimento até que o sujeito se aproprie efetivamente. Como a formação básica de muitos professores vem de um saldo de "défict", em que em vez de agregar a cada ano mais informações, tem que correr atrás de coisas básicas que já deveriam terem sido aprendidas. Então eu pergunto: como o professor terá tempo de ler, conhecer e se apropriar de vários enfoques teóricos, para a partir disto selecionar as teorias que se identifica? Como não é possível acaba-se resolvendo a situação de forma imediata, aderindo-se a teoria da "moda".

Jane - Concordo com você Alcione e é devido à correria do cotidiano do professor que geram os problemas de saúde mental e física do professor

EL - BOSI (p.13) " Além das considerações anteriores, uma outra crítica muito grave que se pode fazer as diferentes propostas de base teóricas da formação docente está na unanimidade que apresentam ao focalizar a figura individual do professor. Traçar o perfil profissional do professor, detentor de determinadas competências cognitivas e docentes, é um exercício pedagógico para esboçar um "retrato imaginado" do que seria o professor universal. Esse exercício seria tão útil para a educação quanto a descrição do "espírito científico para a ciência" (p.15)

 " A escola contemporânea e´, pois uma novidade social e cultural. Nesse novo espaço institucional, o desempenho do aluno não mais pode ser pensado como uma simples questão de formação teórica de alguém que ensina, como também o desempenho do aluno não mais pode ser considerado como uma simples questão de motivação e de esforços individuais. A escola de hoje é uma ruptura com a escola do passado, sempre inspirada numa visão preceptual da relação pedagógica. Analogamente, a família contemporânea é uma novidade social e cultural em comparação coma famíliade algumas décadas atrás. As relações entre pais e filhos, nessa nova situação, não podem tomar como modelo aquelas vigentes no passado

COMENTÁRIO Penso que, as representações que se tinha ( ou ainda se tem) de professor, de escola , aluno, ensino /aprendizagem, se fundamentam em um modelo de sociedade , cultura, valores, que necessitam ser readequados em função de uma nova realidade que se tem. Modelos "ideais" não se encaixam frente aos desafios que a escola/ professor /aluno têm atualmente.Um enfrentamento de questões fundamentais,como exclusão social/educacional/política, violência, miserabilidade, devem fazer parte do cotidiano da escola, aluno e professor, tendo como pano de fundo o suporte da ética e cidadania.

Alc - Sinto muito minha amiga, mas ainda vai muito tempo até que isto aconteça. Vivemos num mundo muito capitalista e falta muito para as pessoas se conscientizarem.

IBCC - Nós, professores, que estamos discutindo, lendo, investigando em uma universidade, e temos responsabilidade social, devemos fazer algo ap invés de adotarmos uma posição pessimista, você não acha?  O que você tem lido em relação á uma pedagogia pró-ativa?

Jane -voce está coberta de razão, acho também que seja por aí, mas vc poderia me dizer por onde deveríamos começar?

IBCC. Jane, Que tal você  propor algumas possibilidades, tendo como foco o seu tema de pesquisa,  a partir do que vocês têm lido desde março?

 

SIL – Bosi p. 15 " A escola contemporanea é, pois, uma novidade social e cultural. Nesse novo espaço institucional, o desempenho do professor não mais pode ser pensado como uma simples questao de formação teórica de alguém que ensina, como também o desempenho do aluno não mais pode ser considerado como uma simples questão de motivação e de esforços individuais. A escola hoje é uma ruptura com a escola do passado, sempre inspirada numa visão preceptoral da relação pedagógica." ( Bosi, p. 15. 2001)

COMENTÀRIO: O autor pontua uma questão implícita nesse parágrafo que chama a atenção: a comparação. Uma prática comum na fala (pela informação) das pessoas com relação aos acontecimentos, fatos e períodos históricos, o de comparar e apontar apreciações valorativas que remetem a sérios equívocos. Como é destacado no início do parágrafo, " a escola contemporânea é uma novidade social e cultural" sendo assim, não pode ser comparada com a escola do passado, o momento histórico é outro, a concepção de criança é diferente, sua organização, planejamento, avaliação, docentes e muitas outras especificidades, enfim, como destaca Bosi, "é uma outra escola". Diante desses fatos também o desempenho, tanto do professor como do aluno mudaram, a visão preceptoral da relaçao pedagógica ( da escola do passado) precisa ser repensada. Na sala de aula, o professor não pode ser visto ou pensado apenas como alguém que ensina, do ponto de vista da formação teórica, como acontecia no passado e muito menos o aluno ter sua aprendizagem limitada a aspectos de motivaçao e de esforço individual. Essa " novidade" requer uma formação voltada para o enfrentamento de desafios da escola contemporânea, não a busca de soluçôes ( tentativas).Desse foco pensei no objeto que dedico pesquisa: a brinquedoteca universitária, que nesse contexto também é uma novidade que precisa ser estudada, e no que diz respeito a questão de formação e suas contribuições,analisada nesse momento histórico.

IBCC - Porque deve mudar a atitude e a função do professor? Porque a brinquedoteca deve ser considerada? O brinquedo é uma produção social?

VAN - Texto Bosi - Página 15 " A escola contemporânea é, pois, uma novidade social e cultural. Nesse novo espaço institucional , o desempenho do professor não mais pode ser pensado como uma simples questâo de formação teórica de alguém que ensina, como também o desempenho do aluno nâo mais pode ser considerado como uma simples questâo de motivação e de esforços individuais".

Comentário: Penso que a relação pedagógica hoje, na contemporaneidade deva ser de troca, e nâo de um ensino configurado no professor como detentor do conhecimento e o aluno como mero expectador. O aluno vem com inúmeras pré-concepções (geradas pela família, comunidade, mídia) e uma das funções da escola é reconstruir esses conhecimentos nos alunos, mas não de uma forma impositiva, sem questionamentos. O papel do professor é fundamental, ele deve incentivar o aprender a aprender nos seus alunos e estimulá-los a pensar nâo só subjetivamente mas coletivamente também. Além disso, a sala de aula é também espaço de contrução de novos signififados para o professor, que transcende sua formação teórica. Acredito que uma das dificuldades de atuação do professor é vir de um ensino reprodutivista, ele não foi estimulado a usar da criticidade, a construir sua autonomia e esse é um dos pontos que dificultam a relação professor-aluno na prática pedagógica.

Ane - Por este motivo a necessidade de preocupação com a formação de professores. O professor acrítico não é formado para auxiliar na emancipação, ao contrário, é formado para manter a reprodução social

Nz - Concordo com a Anelise em relação à deficiência da formação do professor no sentido de auxiliar a emancipação do aluno, porém, a pergunta que faço é como é possível modificar essa situação

El - Vanessa, , ainda a nossa realidade é como está no texto, dificilmente vemos professores que são (ou foram preparados) para esta prática, e não para serem mediadores do conhecimento, onde todos aprendem com todos.

Sil - Legal Vanessa escolhemos o mesmo parágrafo.Concordo!! Os professores infelizmente ainda seguem os modelos de dar aula do início do secúlo XX, tem medo de inovar ( repetir é mais cômodo).

ML - Vanessa, excelente a sua colocação. Reproduzimos a nossa maneira de ser professores conforme fomos ensinados. Deveríamos rever este conceito e reproduzir somente a parte boa. Precisamos reconstruir significados, dar espaço nas salas de aula a questionamentos, aceitar críticas, ajudar o nosso educando a construir a cidadania e deixar-nos abertos para aprendermos com eles, pois a bagagem de conhecimentos deles é grande.

Ane – Bosi p. 15  "A escola básica de hoje não é pois um retrocesso com relação à escola de ontem. é outra escola, principalmente por ser altamente expandida, e suas alegadas deficiências precisam ser enfrentadas por um esforço permanente de investigação e busca." -

COMENTÁRIO: Por que a escola de hoje haveria de ser confundida com um retrocesso em relação à escola de ontem? Trata-se mesmo de uma escola diferente inserida numa sociedade diferente.

Alc - Acho que o que parece confundir é que apesar de estarmos em um outro momento histórico a princípio "mais evoloido" (pelo menos tecnologicamente), os problemas e a qualidade do ensino não acompanharam esta evolução proporcionalmente.

RR - – Bosi p. 15  A escola básica de hoje não é pois um retrocesso com relação à escola de ontem. É uma outra escola, principalmente por ser altamente expandida, e suas alegadas deficiencias precisam ser enfrentadas por um esforço permanente de investigação e busca." Estudos Avançados - Alfredo Bosi, pg.15 - 6º parágrafo

COMENTÁRIO - Penso que a expansão da escola básica de hoje, dá-se de maneira pluri-direcional, ela cresceu e desenvolveu-se em vários sentidos e aspectos. Das novas tecnologias, como o computador, a internet, as salas de multi-meios e os laboratórios entre outros à noção de escola cidadã, comprometida não só com a sua pedagogia e seu currículo, mas com as questões sociais e éticas que envolvem a humanidade. Esta expansão é o principio da essência humana, a busca contínua por novos conhecimentos, novas realizações.

Alc - Concordo, mas em função do ideologismo pregado pelo capitalismo, a escola ainda ocupa muito de seu tempo com preocupações burocráticas e administrativas, ficando questões prioritária, como a qualidade do que se ensina em segundo plano

RR - Também concordo com você Alcione. Depois faço um novo comentário

Van –Texto Bosi, página 15: "A escola básica de hoje nâo é pois um retrocesso com relação à escola de ontem. É uma outra escola, principalmente por ser altamente expandida, e suas alegadas deficiências precisam ser enfrentadas por um esforço permanente de investigação e busca".

COMENTÁRIO: Penso que fica evidente a questão de pensar a educação como um processo, não devemos estabelecer julgamento sobre o passado do processo educativo com os olhos de hoje, nem para a atualidade com a visão do passado. Houveram Houve continuidades, descontinuidades, rupturas e é preciso direcionar esforços para compreender a escola básica de hoje levando em consideração as dificuldades da sociedade contemporânea, suas contradições e suas possibilidades num processo constante de adaptação às mudanças sociais e culturais enfrentadas.

NZ - Concordo com a Vanessa em relação à necessidade de a escola básica estar sempre avaliando e reformulando e atualizando seus objetivos de forma mais consentânea com a realidade social.

ML - Bosi,p.16   “.... Comunidades sociais como igrejas, partidos políticos, forças armadas, as associações culturais ou recreativas e outras tem semelhanças com a escola básica porque, como esta, são instituições empenhadas, de alguma forma, num esforço de ensino e de transmissão cultural. Mas a escola tem um traço que a singulariza: a escolarização básica, que alcança à todos numa sociedade democrática, deve deixar-se impregnar extensivamente pela herança cultural e não pela parcialidade de propósitos doutrinários, ideológicos ou de cultivo e de preparação para atividades específicas”.

Comentário - A escolarização básica, sendo obrigatória numa sociedade democrática, transmite conhecimentos que são comuns a todos., deixando influenciar-se pela miscigenação de culturas advindas de todos. A educação em uma sociedade democrática, ela é critica, dialética e permite que as idéias sejam respeitadas.

ALC - Não acredito que isto aconteça de fato na prática.

IBCC - Porque você não acredita? Justifique.

AL -  Vivo uma realidade enquanto professora onde me deparo costantemente com a contradição do que é "pregado" teoricamente como o ideal, e o que de fato acontece na prática. Há uma preocupação enorme em primeiro lugar com aspectos administrativos (vida acadêmica do aluno, frequência, notas, etc.), e as questões voltadas a aprendizagem "propriamente dita", nem são mencionadas.

Sil - Legal Maria Luiza!!!! Gostei de sua escolha. Na realidade observamos que a "parcialidade" ainda permeia e muito o campo educacional. São tanta crenças, valores, doutrinas que a escola na maioria das vezes esquece de ser imparcial. Se olharmos criticamente observaremos muitas questões no: CURRICULO OCULTO.

IBCC - Que tipo de questões, exemplifique. Por que isso ocorre?

Sil - Questões ideológicas que são elaboradas em forma de conteúdo no currículo para atender as necessidades de uma minoria hegemonica. No início do século XX no Brasil, veiculava na mídia existente "Brasil raça forte e sadia", nos curriculos da Educaçao Infantil o assistencialismo permeava ( cuidados na saúde, higiêne e alimentação) Uma minoria resolvendo questões, empregando valores, crenças e doutrinas.

Ane - A idéia de transmissão de conhecimentos torna-se equivocada quando se pensa na escola reprodutora, que transmite aqueles conhecimentos julgados "comuns " por uma classe dominante.

IBCC - Então você é contra a transmissão de conhecimentos? Você julga que possa haver educação sem transmissão de conhecimentos? Ou melhor é possível haver transmissão de conhecimentos?

Ane - Claro que não sou contra a idéia de tramissão de conhecimentos, o que coloquei é que deve-se estar alerta para perceber a transmissão de quais conhecimentos está ocorrendo, dos conhecimentos de quem e segundo as concepções de quem este conhecimento vem sendo ofertado. Ainda, acredito que o termo mais adequado não seria transmissão, mas mediação dos conhecimentos

FL-  Não podemos esquecer que as igrejas, partidos políticos, forças armadas, associações culturais ou recreativas possuem um objetivo diferente da escola. Estas instituições se preocupam em formar as "mentes" de seus "seguidores" para que pensem exatamente como desejam que pensem, isto é, procuram torná-los seres de fácil manipulação, produram uma forma de exercerem seu poder sobre todos. Já escola deverá ter uma visão diferente. Seu objetivo deverá ser o de permitir que seus alunos consigam construir conhecimentos e não que sejam simples seguidores de conceitos. Por isso deve permitir que seus alunos desenvolvam um raciocínio crítico, economico-político-social-cultural, possibilitando que eles façam a escolha sobre o que seja melhor para toda a sociedade onde estão inseridos. A escola não é uma fábrida de autômatos, robôs, cumpridores de ordens.

IBCC - "A escola não é uma fábrida de autômatos, robôs, cumpridores de ordens". Ela nunca é, ou ela não deve ser? Comente em relação À maioria das escolas públicas que temos nos diversos brasis.

Ane - A idéia de transmissão de conhecimentos torna-se equivocada quando se pensa na escola reprodutora, que transmite aqueles conhecimentos julgados "comuns " por uma classe dominante

CL - pg 16 / 4º Pár. "Novas propostas de formação docente devem partir do próprio conceito de escola, não apenas como é formulado pela eventual contribuição de teorias da Sociologia, da antropologia, da Administração e de outras áreas do conhecimento que se propõem descrever e explicar os 'fatos' da vida escolar, mas também pelo desenvolvimento de um ponto de vista pedagógico que leve em conta esses fatos na ordenação desejável das atividades escolares."

COMENTÁRIO: Infelizmente, podemos observar que o que menos importar para alguns graduandos de curso de licenciatura é o conceito de escola, por mais que os docentes avisem que estão sendo preparados parar atuarem na educação, muitos desprezam esta informação e acreditam que nunca irão para escola, onde realmente acabam atuando. Penso que os cursos de licenciatura devam enfatizar, antes de qualquer discussão, onde o futuro profissional irá trabalhar, mostrando-lhe a realidade de nossas escolas. CLOVIS

 

V. - Concordo com sua afirmação Clóvis-Jamine, parece haver um abismo entre a teoria e o local da prática pedagógica do professor em muitos cursos e cabe às faculdades e universidades modificarem suas estratégias

 

A. C - Muito bem Cróvão!Por ser da mesma área,também observo isto nos alunos de Educação Física,por exemplo.Cursos de licenciatura devem realmente preparar o aluno para a realidade escolar.Muitos cursos não preparam o aluno para atuar na escola,muitos alunos não demonstram interesse pela escola,e depois são estes alunos que caem de "para-quedas"no ambiente escolar e não sabem o que fazer ou como lidar com os problemas que aparecem.

And – Bosi. P. 17 O ponto de vista pedagógico não deve, pois, ser uma aplicação de conhecimentos auferidos em possíveis descrições de "fatos" escolares, mas um esforço de compreensão da escola como um projeto institucional para transformar uma comunidade de professores e alunos onde ocorrem encontros de gerações numa comunidade espiritual fundada numa visão ética cujos efeitos educativos se prolongam além dos anos de escolaridade(Bosi p.17.

 Comentário: Considero, fundamental a escola trabalhar conhecimentos que sejam significativos para além das avaliações, conhecimentos que fazem parte da vida do aluno e que realmente o ajude não só a participar, mas exercer sua cidadania como membro ativo da sociedade. Neste contexto, observamos que na maioria das vezes a escola trabalha o "conhecimento limitado" restrito a determinadas questões que não ultrapassam os muros escolares e não fazem diferença na vida nem do aluno nem do professor

Sil - Concordo Anderléia!! No fórum tópico escola fiz um comentário sobre o "faz de conta" na escola, realmente como vc colocou " não ultrapassa os muros da escola". Que conhecimento é esse?

SIL - Bosi. P. 17  "A necessidade da advertência torna-se maior quando já não trata de pequenas vitórias, mas da grande mudança que a nova lei introduziu ao preconizar que cada escola tenha autonomia para elaboração de sua própria proposta pedagógica. Se não houver "visão e vigilância" ( Anísio Teixeira) a inovação ensejada pela lei poderá ter como resultado apenas mais uma imposição de papelada" ( Bosi, p.17. 2001)

COMENTÀRIO: Esse é o ponto de partida para a escola construir sua identidade, através do levantamento do diagnóstico de seus problema, mas quando o projeto pedagógico é pensado coletivamente,não por alguém ou por um grupo. Considero um marco e um avanço, porém a escola muitas vezes não tem o fundamento de suas concepções, (visão crítica) que norteie essa construção. O projeto político vira sinônimo de um acúmulo de informações obrigatórias a se ter na escola, um documento, que ( se elaborado assim) nao cumpre seu papel social.É mais um entre outros.


 Atenção vocabulário corrigido:

 

Consenso -